Estudantes da USP em greve por melhores condições de ensino e aprendizagem

Posicionamento dos Representantes Discentes dos Conselhos Centrais da USP

Os Representantes Discentes dos Conselhos Centrais da Universidade de São Paulo abaixo assinados, munidos de suas atribuições enquanto porta-vozes de todos os estudantes da “maior da América Latina” perante a reitoria e as pró-reitorias, vêm prestar apoio ao Comando de Greve da USP e à Greve Estudantil de 2026 e exigir a reabertura da mesa de negociações com os estudantes. Essa é uma condição-chave e indispensável para a manutenção de um ambiente democrático, marca da USP enquanto instituição pública de ensino, pesquisa, extensão e vivência universitária.
Nesta toada, reiteramos o apoio a todas as demandas do corpo estudantil, muitas de caráter emergencial, como a situação dos bandejões e da moradia estudantil, por todos os campi. Sobre moradia, inclusive, ressaltamos a necessidade de não só serem feitas medidas de curto prazo, mas que sejam planejadas ações de médio e longo prazo, envolvendo a construção de conjuntos residenciais estudantis nos campi que ainda carecem de uma estrutura do tipo, destacadamente na USP Leste – EACH.
Também vemos como de extrema importância que o diálogo entre instituição e discentes se mantenha na discussão e implementação das propostas aceitas e divulgadas pela reitoria, destacadamente, no âmbito das cotas trans, cotas para pessoas com deficiência e vestibular indígena – e em políticas de permanência e acolhimento – e na mobilidade intra e intercampi, com linhas gratuitas (que aceitem BUSP) e incentivo à mobilização ativa (a pé e de bicicleta).
Compromissos concretos com medidas de valorização do Hospital Universitário e dos Hospitais das Clínicas da USP são urgentes, bem como a correta avaliação e consequente extinção do programa Experiência HC, criado à revelia da comunidade estudantil e de servidores e que vende a USP cada vez mais à lógica de mercado, negociando a saúde e vida humanas, sem o menor escrúpulo. Acrescentamos a necessidade de observar criticamente as (péssimas) condições de acessibilidade por todos os campi, com a formação de um Grupo de Trabalho que cobre e incentive melhorias nas unidades, afinal, uma universidade democrática e pública deve dar condições de participação e acolhimento a todos, não podendo tomar nenhuma condição preexistente como barreira intransponível.
O pequeníssimo esforço da reitoria, com o aumento mínimo no PAPFE, ainda passa longe de ter qualquer cabimento enquanto política de permanência baseada nas condições reais de vida em São Paulo. Reiteramos nosso apelo para que o PAPFE chegue a, pelo menos, um Salário Mínimo Paulista. Se a nossa universidade exige e preza por excelência acadêmica, ela deve dar condições de vida para tal. Como esperar excelência acadêmica de estudantes que mal conseguem pagar o aluguel? Assim, a USP apenas gera um ambiente de insegurança e instabilidade material, psicológica e emocional – que, diga-se de passagem, em nada contribui para o desenvolvimento do tripé ensino, pesquisa e extensão.
No âmbito da pós-graduação, trazemos a preocupação com a escassez de bolsas de pesquisa e seus valores insuficientes para a dedicação integral de pesquisadores. Registramos a indignação com editais de bolsas de mestrado e doutorado propostos pela pró-reitoria de pós-graduação que não contemplam o período completo do curso.
Trazemos ainda, com especial destaque, a exigência urgente de mudança da postura da reitoria e da pró-reitoria de graduação quanto à greve. Não é cabível que, mesmo após duas semanas desde a primeira mesa de negociações, não tenha sido firmado um acordo de não-retaliação por parte da Universidade. A greve é legítima, decidida em cada localidade pelos seus respectivos corpos estudantis, via participações massificadas em assembleias por todos os campi. As reivindicações estudantis são justas e necessárias para a boa manutenção das condições de estudo e permanência.
Com isso, questionamos: é verdadeiramente democrático e aberto o posicionamento de simplesmente fingir que nada está acontecendo e reiterar uma diretriz autoritária de que não haverá abono de falta ou adaptações de calendário? É democrático abrir margem para processos administrativos contra estudantes que estão apenas defendendo o direito de todo o corpo estudantil à alimentação e permanência dignas? Atitudes como essas partem de um entendimento equivocado: uma greve não ocorre por mera vontade de estudantes; mas, sim, por necessidade e esgotamento de todas as demais instâncias de reivindicação – nos conselhos e comissões locais de cada instituto e gerais da USP. A greve ocorre enquanto última medida para chamar a atenção da instituição e promover o tão necessário diálogo em torno de demandas há muito ignoradas ou postergadas.
Portanto, se é do interesse da reitoria que a greve não se prolongue, o melhor a fazer é retomar o diálogo e a mesa de negociações, dando ouvidos verdadeiros aos apelos estudantis, que sofrem, dia a dia, por falta de condições básicas na “melhor da América Latina”. Somente com avanços conjuntos é possível pensar em um justo fim para a greve.
Sem mais,
RDs dos Conselhos Centrais da USP
Azri Pessoa - FFLCH - RD da CoIP
Beatrice Mennitti dos Santos - FFLCH - RD da CoIP
Bruna Luiza Castilho Rossoni - FD - RD do CoCEX
Carlos Eduardo Borba Costa - EACH - RD do CoCEx
Carolina Bianchini Bonini - FFLCH - RD do CoIP e do CoPI
Charlon Fernandes Monteiro - FFLCH - RD do Co
Diego Roiphe de Castro e Melo - POLI - RD do CoG
Ekop Novis dos Santos - FD - RD do Co
Felipe Scalise - Ciências Moleculares - RD do CoG
Francisca Paludetto Silva Sarto - FE - RD do CoG
Giulia Baffini Santana - EACH - RD do Co
Giovana Oliveira Alves Santos - IQ - RD do Co
Henrique de Andrade D’Ambrosio Retti - ICB/IO - RD do Co, CoIP, CoPI, CAA e CP
Hugo César da Silva - FFLCH - RD do CoIP e do CoCEX
Isabella Megara - ECA - RD do CoG
Julia Emmilyn Almeida da Silva - FFLCH - RD do CoIP
Júlia Urioste L. Souza - FFLCH - RD do Co
Juliana Lopes Chaves Fiorese - IRI - RD do Co



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